Nenhum comentário

O que Deus uniu, não separe! (Mc.10:2-9)

Jesus havia chegado à Judéia, e certos fariseus fizeram uma pergunta sobre o divórcio. O divórcio era uma questão crucial da discussão rabínica, eles estão na Pereia, lugar governado por Herodes Antipas, que cobiçou a esposa de seu irmão.

A lei do divórcio judaico remonta Dt.24:1. Quando um homem tiver esposado uma mulher e formalizado o matrimônio, mas pouco tempo depois descobrir nela algo que ele reprove e por isso deixar de querê-la como esposa, ele poderá dar à sua mulher uma certidão de divórcio e mandá-la embora.

 O verdadeiro ponto do problema era a interpretação da lei que diz que um homem pode se divorciar de sua esposa, como interpretar? Havia dois pensamentos.

Houve a escola de Shammai, eles interpretaram o assunto com total rigor. Uma questão de indecência era só adultério. A menos que ela fosse culpada de adultério, não poderia haver divórcio.

A escola de Hillel, eles interpretaram o mais amplamente possível. Eles diziam que, se a esposa estragasse a comida, se falasse com um homem estranho, se falasse sem respeito, se fosse uma mulher briguenta, se fosse mulher cuja voz podia ser ouvida na casa do vizinho. O rabino Akiba chegou a dizer que se um homem encontrasse uma mulher mais honesta do que sua esposa podia separar-se. O divórcio era como hoje em dia por qualquer razão e por qualquer motivo.

Sendo a natureza humana como é, foi a visão negligente que prevaleceu. O resultado foi que o divórcio pelas razões mais triviais, ou sem razão alguma, era tragicamente comum, a tal ponto que, no tempo de Jesus, as mulheres hesitavam em se casar pela insegurança. Quando Jesus falou do divórcio, ele estava restaurando o casamento à posição que deveria ter.

Jesus deixou claro que ele considerava  Dt, 24:1, como sendo estabelecido para uma situação definida e não sendo em nenhum sentido permanentemente vinculativo. A autoridade que ele citou fora muito além, ele foi direto para a história da Criação de Gn. 1:27,28, Gn. 2:24. A visão dele era de que, na própria natureza das coisas, o casamento era uma permanência de união, indissolúvel, duas pessoas unidas de maneira que o vínculo jamais poderia ser quebrado por quaisquer leis e regulamentos humanos. Era sua crença que na própria constituição do universo o casamento deveria ser uma permanência e unidade absoluta, e nenhuma regulação mosaica que lidasse com uma situação temporária poderia alterar isso. Ele passou através de seus costumes, através de seu comportamento social, através de seus rabinos, através de suas tradições para a Palavra do próprio Deus.

Foi Deus quem tornou a união possível, quem emitiu o mandamento: “Frutifica e multiplica, enche a terra”.  Quem disse: “Não é bom que um homem esteja só”. Foi Deus quem trouxe Eva para Adão, quem planejou que o casamento fosse um estado honroso. Na ordem da criação, havia um homem e uma mulher. Eles foram criados um para o outro, não havia pessoa sobressalente.

Rev. Marcelo Mauricio

Postar um comentário